Adoração a Imagens

Domingo passado, na missa, o primeiro dos textos lidos foi Êxodo 20,1-17. Se você não sabe do que se trata e está com preguiça de ir até a estante para pegar a Bíblia, esclareço: ali estão os dez mandamentos.

Eu, pessoalmente, perdi a concentração depois do quarto versículo, pois foi ali que vi uma das grandes contradições doutrinárias da Igreja Católica, senão a maior. Diz o versículo: "não farás para ti ídolos ou coisa alguma que tenha a forma de algo que se encontra no alto do céu, embaixo na terra ou nas águas debaixo da terra. Não te prosternarás diante desses deuses e não os servirás, porque eu sou o Senhor (...)".

Vê só a cena: lá está o sujeito sentado no seu banquinho no altar, ele levanta, se curva em direção à estátua de Jesus crucificado, pára ao lado de uma estátua de Maria, lê o mandamento, se curva de novo em direção à estátua de Jesus e vai sentar. Sei que vou ser chamado de herege, mas vá lá: a cena é tão esdrúxula quanto um bêbado num bar segurando um cartaz dizendo "beba com moderação".

Não estou discutindo aqui se o mandamento está certo ou está errado. Muito menos estou discutindo se as imagens respondem ou não. Mas me consterna o fato de que as pessoas pregam uma coisa e agem diferente. Se a pessoa se diz católica, e sendo a Bíblia o livro sagrado da Igreja Católica, não parece óbvio que a pessoa tenha que seguir os seus ensinamentos? Digo de novo: não é uma questão de discutir se o ensinamento está certo ou errado. É uma questão de seguir as regras do caminho escolhido.

Eu até entendo (e respeito) que muitas pessoas precisam de uma âncora física para conseguirem se concentrar durante uma oração. Isso é humano. Gente é assim mesmo. Mas na igreja Católica tem muita gente que dá mais atenção à imagem, ao objeto, à pedra, à madeira, do que a Jesus em si.

Eu amo a minha família, e tenho um quadro no meu quarto com a foto de todos nós juntos. Quando tenho saudade de algum deles, paro e fico olhando para a foto. Mas não dá pra deixar um pedaço de papel ter mais importância do que as pessoas. É a mesma coisa com as imagens. Jesus é meu senhor e meu pastor. Não vejo problema em ter um quadro com uma pintura da última ceia, mas é claro que não vou apontar a minha fé para uma aquarela.

Voltando à cena da leitura da Bíblia, numa hora dessas me pergunto o que é que estou fazendo na Igreja Católica.

Um comentário:

Michelle Santos disse...

Na minha cabeça sempre foi o ponto de maior incoerência. Mas muita mesmo. Até o fato de existir um Papa. Na Bíblia não existia Papa. É Deus, Jesus, Espírito Santo, Discípulos... E na organização da igreja, presbíteros e diáconos. Nada de apóstolo e bispo. Nem padre.