Sobre Ser Fã de Elton John

Enquanto esperávamos o Rock in Rio começar oficialmente, lá na turma do gargarejo, eu e um camarada conversávamos sobre as piadas que ouvimos com frequência por sermos fãs do Elton John. Tempos atrás, me deram uma ideia sobre isso. Disse o bem intencionado:

Mário, o problema não é gostar de Elton John. Eu também gosto. As músicas dele são muito boas, eu tenho algumas no iPod, o cara toca pra caralho, de vez em quando eu ouço. O problema não é esse. O problema é ter camisa com o nome dele e dizer que é fã, entendeu?

Claro que não entendi. Todo mundo tem camisas de seus artistas favoritos. De Beatles a Diante do Trono. De Ozzy a Michael Jackson. De Sandy & Junior a Metallica. Eu disse que não tinha entendido e quis saber o motivo. A explicação foi curta e grossa:

Mário, Elton John é viadão. E se você diz que é fã dele, as pessoas vão pensar que você é viado também. Entendeu agora?

Então o problema não é ser fã de Elton John, é pensarem que você é viado igual a ele. Seguindo esta linha (torta) de raciocínio, não podemos gostar de ir a um restaurante com comida da boa quando o cozinheiro for gay (se você come a comida dele deve estar doido pra comer ele também!).

Voltando ao ponto, agora sim eu tinha visto um motivo sensato para não falar que sou fã do Elton John: para que não pensem que eu sou viado. Porque isso sim é importante pra mim: não quero que pensem que eu sou viado. (Mas vou continuar falando que sou fã assim mesmo)

Só que eu desconfiava dos motivos da boa alma conselheira. Eu tenho meus motivos para não querer que pensem que eu sou viado, mas será que os motivos dele seriam os mesmos? Perguntei o porque dele achar ruim ser confundido com viado e a explicação, novamente, foi certeira:

Porque viado dá cu. Viado não é normal. Viado é doente.

E aí tudo ficou claro: nossos motivos eram completamente diferentes. Enquanto os motivos dele eram baseados em puro preconceito, eu não quero que me confundam com um gay porque sei que gays são duramente discriminados, sofrendo psicológica e fisicamente pelo que são. Enquanto pensarem que eu ser gay não for tão banal e irrelevante quanto pensarem que sou um arquiteto, não quero essa confusão pro meu lado.

3 comentários:

Gabriel Nantes de Abreu disse...

Muito triste as pessoas ainda pensarem assim!

Anônimo disse...

http://www.youtube.com/watch?v=jlbSud_JymY&feature=youtu.be

Mário Marinato disse...

Pois é, Gabriel. E muito pensam assim ainda. Ouço isso sempre.